segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Continuação Postagem Roma e seus Interiores

Reconstrução virtual do Caldarium, Thermae romana de Segobriga, Espanha. O ambiente permanecia quente devido ao ar transportado pelas paredes. Este ar esquentava os tijolos que projetava o calor para o ambiente.


A Recriação artística da magnífica decoração de uma câmara e uma piscina nas Termas de Caracalla: Mármores, colunas, fontes e estátuas. Observe o funcionamento do Hypocaustum abaixo do piso. Existia uma rede complexa de quartos no subsolo, onde havia salas de serviços que permitiam a administração prática da Thermae completamente escondida aos olhos dos visitantes.


Ruínas das Termas públicas romanas em Bath, Inglaterra. A ruptura do telhado original, causou a proliferação de algas. A estrutura de colunas acima do nível das bases é uma reconstrução posterior.

Réplica de um Atrium romano clássico: O Compluvium inundava a casa de luz.


No verão, o Atrium exercia uma função mais formal na casa romana, ficando as atividades de lazer restritas ao Peristylium. O lazer no Atrium acontecia apenas no inverno, no caso desta pintura de Gustave Boulange, um concerto de flautas. (The Flute Player, 1861.)


A decoração do Atrium nas casas da roma antiga impressionava pela riqueza de mosaicos e afrescos. (Reprodução digital da Casa di Paquius Proculus em Pompéia, Itália)


Ilustração hipotética do Atrium na Casa del Fauno (The House of the Faun) em Pompéia, Itália.


Réplica: Atrium da Casa dei Dioscuri em Pompéia, Itália, fielmente recriada em Pompejanum, Alemanha.
O Atrium era um cômodo ricamente decorado, no chão se assentavam mosaicos elaborados e nas paredes, pinturas e afrescos. Quase sempre, abrigavam um Lararium; pequeno “oratório” para os deuses do lar. Por vezes, era também no Atrium que se expunha o busto do dono da casa.

A pintura neoclássica recriava artisticamente a atmosfera da antiguidade. (A Pompeian interior, pintado por Luigi Bazzani, 1882.)


Triclinium (Reproduction): Triclinium era uma sala reservada às refeições, com três leitos dispostos à volta de uma mesa; em cada leito cabiam três pessoas.
Os Romanos, que antes comiam sentados, passam, por influência grega, a tomar as suas refeições reclinados (deitados).
O jantar era um ritual na vida dos antigos romanos e durava desde o fim da tarde até a madrugada.
Para mostrar a importância do espaço, o triclinium era decorado com mosaico ou afrescos nas paredes. Deuses e mitos eram muito comuns na decoração dos cômodos.
Durante o banquete, canções e danças eram usados para entreter os convidados.





Fontes:

http://thearcheology.wordpress.com/

Postado por: Gabriele R., Suélen B.



















Renascimento na França ...




A França foi o primeiro país da Europa a adotar o renascimento italiano por influencia dos militares que o rei Carlos VIII empreendeu em napoles em 1945.
No fim do século XV e no século XVI o Renascimento floresce após as perturbações da Idade Média. Esse período será marcado por artistas vindos da Itália, autores das obras de arte do estilo renascentista francês.

O que acontece, então, na França, durante esses dois séculos? Vitória sobre a Inglaterra, reino unificado, já estamos longe das misérias e da fome causadas pela Guerra dos Cem Anos. O reino prospera. A demografia e a atividade econômica se desenvolvem. Carlos VIII parte para a guerra na Itália, à conquista de Milão e de Nápoles. Luis XII e Francisco I continuam as batalhas nas terras italianas. A vitória de Marignan em 1515 marca essas conquistas, e o rei fica maravilhado com as belezas artísticas da Itália. Ele traz à França - a Fontainebleau, ao palácio do Louvre e às margens do Loire - os maiores artistas, entre eles Leonardo da Vinci. Castelos são construídos, como em Chambord e Azay-le-Rideau.
Logo Francisco I entra em conflito com Charles-Quint, poderoso imperador do Santo-Império, e também com os ingleses. Na segunda metade do século XVI, a heresia luterana semeia a discórdia na Igreja. O rei é católico e reprime os Protestantes sem piedade. Seu filho, Henrique II, continuará a repressão contra os Calvinistas com o massacre sangrento da noite de São Bartolomeu, em 1572. O duque de Guise é assassinado em 1588, e o rei Henrique III em 1589. Será preciso a consagração do rei protestante Henrique IV para acalmar as guerras de religião. “Paris bem vale uma missa!”

Berço do renascimento frances








postado por: Julian Martins e Barbara G. de Freitas
bibliografia: youtube



LUÍS XIV


O mobiliário de Luís XIV

Era um mobiliário de grandes proporções, simétrico e de caráter masculino, apesar da ornamentação extravagantes sendo os móveis folheados a ouro,quando não eram inteiramente dourados eram ornamentados com incrustações de metais e trabalho de marcheteria,utilizavam as madeiras nobres principalmente à nogueira, carvalho, castanheiro e ébano. Em sua estrutura predominam as linhas retas com curvas severas e dignas.










No início as cadeiras continuam fiel ao estilo Luís XIII com espaldar reto e alto contrastando com os braços encurvados e terminados em volutas, pernas e travessas semelhantes, tendo os pés com balaústre, pequenas bolas ou cubos unidos por travessa em H ou X, depois eles adquirem um perfil de consolo, linha que se repete nas travessas, representando uma cruz colocada em diagonal, da qual cada braço forma um consolo que se enrola em voluta, ao centro. Abolidas as travessas horizontais sob a cadeira, os pés passam a receber um acabamento em globo ou florão. Pouco a pouco, estas cadeiras, inteiramente cobertas por tapeçaria, começam a deixar entrever madeira em volta do assento e do espaldar que, a principio reto, se curvara no feitio de um chapéu de gendarme. Os pés que já tinham evoluído, adquirem também um acabamento em patas de corça, enquanto que as volutas (forma espiralada presente em colunas e pés dos móveis, surgiu na antiguidade clássica) de canto surgem entalhadas na madeira. Arrematando os tecidos, tachas douradas sobre galão dourado.







É famoso o mobiliário Boulle de Charles André-Boulle, mestre ebanista do reinado, que criou a técnica de folhear o mobiliário com ébano, tartaruga, estanho, latão e madre-pérola, com incrustações de prata, ouro, cobre, bronze, tartaruga, marfins e pórfiro, ou trabalhados com mosaicos de madeira da Índia e do Brasil, formando desenhos de motivos variados...










O cabinet que foi tão importante na época de Luís XIII, caiu em desuso.

  • Cama – era ainda monumental e sem madeira aparente, como na época antecessora, os Lits à la duchesse tinham o dossel suspenso enfeitado por plumas e os tecidos que recobriam a peça eram belos e luxuosos como tapeçarias,rendas,damascos,veludos vermelhos,cetim branco ou roxo bordados com ouro e prata,com cortinados junto à parede.
  • Mesas – tinham formatos variados com suas decorações luxuosas, algumas em mármores preciosos outras em madeira dourada, eram ornamentadas com inscrições de tartaruga, bronze, marchetadas ou pintadas, havia ainda as de prata maciça.
  • Cadeiras – Variavam conforme a situação social do usuário. O rei sentava-se em cadeira imponente, com braços, pesadas, douradas e forradas de brocados de ouro e prata. Eram de estrutura retangular havia as com braços ou sem, os braços eram curvos ou retos, as pernas também retas, unidas por traves em H ou X, o espaldar era alto. Algumas se diferenciavam por além de não terem braços eram forradas com tapeçaria ou veludo, tinham os banquinhos de dobrar, com o encosto bordado em cores, predominando o verde e o vermelho.
  • Armário – Eram opulentos, pesados e de um só corpo em madeira ou todo trabalhado à Boulle, enriquecidos com bronze dourado ou cinza.
  • Cômodas – era rica e também trabalhada a maneira Boulle com duas ou três grandes gavetas, e tampo em mármore.
  • Mesa console – era uma mesa pequena e estreita colocada junto a parede,nasceu no século XVII e precedeu o console que entrou em moda no século XVIII,tem quatro pernas trabalhadas,unidas por traves de madeira semelhantes as das cadeiras.
  • Bureau – difere da secretária da época de Luís XV, que é bem mais feminina e delicada, pois o bureau tem as pernas retas e firmes, proporções sólidas e com o mesmo ornamento encontrado nos outros móveis da época.
Aparecem também novos móveis:

A bergère (como se fosse uma poltrona, só que mais confortável e mais profunda).
O canapé, com seis ou oito pés, que se parece muito com a poltrona em estrutura e ornamento tem linhas retangulares, estendendo-se lateralmente, para comportar três ou quatro pessoas – um móvel exclusivo de salões.
O medalheiro que era um móvel muito apreciado onde eram guardados materiais preciosos, como jóias, medalhas, pedras e etc.
O billard era a mesa de jogos, o billard era um jogo que o rei era apaixonado, as mesas eram pequenas ou grandes. Quadradas e recobertas por veludo arrematado por madeira aparente, que sempre era acompanhada por quatro mesinhas redondas de pé centrais, destinadas a receberem as tochas que iluminariam os jogadores, quando fora de uso eram recobertas por um couro vermelho.
A mesa applique que era utilizada encostada à parede sendo por isso decorada apenas em três lados, precursora do consolo, tinha tampo de mármore raro e pés e madeira dourada e muito bem esculpida.
A cômoda que fica no lugar do cofre, na antecâmara. Tinha tampo em mármore.

Também surgiram nessa época os armários-bibliotecas e as poltronas confessionais.













































Fontes:

http://sylkellydecor.blogspot.com.br/2008/09/o-estilo-lus-xiv.html

Postado por: Gabriele R., Suélen B.

LUÍS XIV


Luís XIV, o Grande, Rei Sol, rei da França de 1643 a 1715, nasceu em 5 de setembro de 1638 em Saint-Germain-en-Laye e faleceu a 1 de setembro de 1715 em Versailles, símbolo da monarquia absolutista, provocou uma série de guerras entre 1667 e 1697 a fim de estender as fronteiras da França para o leste, tomando terras do Sacro Império Germânico, e depois, de 1701-1714, para assegurar o trono espanhol para seu neto.
Filho de Luís XIII e Ana da Áustria, ele sucedeu seu pai em maio de 1643, com apenas quatro anos e oito meses, desde então saudado como uma "divindade visível". Cresceu entregue a amas e criados, por cujo descuido quase morreu afogado numa piscina. Tinha nove anos quando, em 1648, os nobres e a corte de justiça de Paris se insurgiram contra o primeiro ministro o Cardeal Jules Mazarin e contra a Coroa. Começou então uma longa guerra civil, conhecida como "La Fronde", período em que a família real passou severas privações e humilhações. Somente em 1653 Mazarin dominou o movimento e então montou um grande aparato real centralizado no jovem príncipe.
Apesar de coroado Rei em 1643, Luís XIV não diminuiu os poderes de Mazarin, a quem devia praticamente toda a sua educação e formação cultural. Uma velha guerra com a Espanha, iniciada em 1635, estava terminando então e favoravelmente à França, que passava a ser a primeira potência européia. O rei da França devia ser um soldado e Luís XIV passou por um treinamento em campo de batalha. Para ratificar e dar maior valor ao tratado de paz com a Espanha, Luís XIV, apesar de estar a alguns anos em amores com a sobrinha de Mazarin, Marie Mancini, casou, em 1660, com Marie-Thérèse da Austria, filha do rei espanhol, contra sua vontade, e anotou no seu Diário. "Exercendo uma tarefa totalmente divina aqui na terra, precisamos parecer incapazes de perturbações que possam compromete-la".
Para o Rei, que via a si mesmo como representante de Deus na terra, qualquer desobediência ou rebeldia seria considerada pecado. Sua fé absoluta na divindade da sua missão fizeram com que comunicasse aos seus ministros, após a morte de Mazarin em março de 1661, que daquela data em diante governaria sozinho. Não tinha dúvidas também quanto a ter tanto poder nos domínios franceses, se não mais, que o próprio Papa. Teve ministros para execução de suas ordens, o primeiro deles e o mais inteligente Jean-Baptiste Colbert, Marquês de Louvois. Dedicou-se à sua tarefa de governo todas as horas do dia por 54 anos, sem que nenhum detalhe escapasse a sua atenção, desde a etiqueta e o cerimonial na corte, a diplomacia e o movimento das tropas, até as disputas teológicas sobre seus poderes em rivalidade com os do Papa. Colbert ajudou-o supervisionando as construções dos palácios, portos, estradas e canais, e descobrindo fontes de recursos, principalmente buscando aumentar as exportações de produtos franceses, ajudado pela pirataria nos mares e assaltos às colônias portuguesas e espanholas, inclusive o Brasil.
No clímax de seu reinado a França parecia uma festa impar diante de uma Europa admirada e desejosa de imitar o seu fausto e brilho cultural. Ao mesmo tempo o Rei mantinha estonteante vida de divertimentos e amores na corte, principalmente um tumultuado romance com Louise de La Vallière. Como aliado da Espanha, invadiu os Países Baixos espanhóis em 1667, que ele considerava herança de sua mulher espanhola, uma guerra que não foi fácil e levou-o a admitir ao morrer que havia gostado demasiado de fazer guerras.
Colbert morreu e não teve substituto à altura. O Imperador do Sacro Império Germânico havia detido os turcos na fronteira dos seus domínios e estava livre para enfrentar os franceses. A política da Inglaterra novamente mudou radicalmente com a Revolução Gloriosa em 1688, e a subida ao trono de Guilherme de Orange, um príncipe holandês cujo país havia sofrido com a invasão francesa. E dentro da própria França os protestantes formavam forte oposição ao rei católico. A reação de Luís XIV contra os protestantes foi suspender seus direitos de culto, que lhes fora garantido anos antes, em 1685, pelo chamado Édito de Nantes, e passar a persegui-los com violência. Muitos deixaram a França passando aos países protestantes vizinhos. Então a Inglaterra, a Holanda e o Imperador se uniram na Grande Aliança para fazer guerra a França, um conflito que durou de 1688 a 1697. Apesar de muitas vitórias, a França perdeu parte dos territórios que havia antes conquistado ao celebrar a paz pelo tratado de Rijswijk.


Fontes:

http://www.cobra.pages.nom.br/fm-luisXIV.html

http://www.youtube.com/watch?v=uBrM6pGPfX8

Postado por: Gabriele R., Suélen B.


Renascimento - Interiores

Distribuição na arquitetura do renascimento italiano

Sobre arranjos, compartimentação e circulação interior na casa renascentista.

 

Luís Henrique Haas Luccas


"Se advertirá, no resto do edifício, que haja salas grandes, médias e pequenas: e todas, uma ao lado da outra, de modo que possam alternativamente utilizar-se. As pequenas se destinarão a formar camarinhas que acomodem pequenos escritórios ou bibliotecas, ou os arreios de cavalgar e outros incômodos que em algumas ocasiões necessitamos e que não é bom que permaneçam nos cômodos em que se dorme, se come e se recebe forasteiros"

 A arquitetura do Renascimento italiano abrange uma produção ampla em quantidade e diversidade (2). Essa dimensão considerável decorre da conjunção de dois fatores: o dilatado período em vigência e a disseminação de sua prática em quase todo o território daquele país, após os primórdios na Toscana e o apogeu na Roma Papal. Cronologia e regionalização associadas resultaram no pluralismo de soluções e repertórios utilizados; um fato invariavelmente encoberto pela suposta unidade apregoada, resultante de uma igualmente aparente limitação imposta pelo repertório clássico.
                                     Palazzo Médici, 1444. Foto Marcelo Martel 

Entre os palazzi Médici (1444) e Valmarana (1565, acima) transcorreu mais de um século de novas soluções e repertórios, em paralelo à influência regional sobre arquitetura e projeto.
Foto Marcelo Martel 


 O Renascimento é o período a partir do qual torna-se viável uma análise dos arranjos interiores da arquitetura erudita doméstica. Além dos subsídios de exemplos materiais remanescentes, que usualmente sofrem alterações através dos séculos, chega até nós uma extensa documentação gráfica original dos projetos arquitetônicos. Os tratados de arquitetura embasam melhor ainda a questão, especialmente os ilustrados, como de Francesco di Giorgio, Sebastiano Serlio e Andrea Paladio, porque apresentam de forma idealizada e genérica a experiência empírica acumulada, além de seus próprios projetos e de arquitetos anteriores. Em seu Tratado, Serlio reproduz edifícios exemplares de outros arquitetos, como o Tempieto de São Pedro, de Bramante, transpondo-o para uma situação análoga ideal, no centro de um pátio circular com colunas periféricas regidas pela matriz radial do templo. No sexto livro, dedicado à arquitetura doméstica, apresenta exemplos genéricos de palazzi, ville, casas urbanas e camponesas. Palladio ilustra seus Quatro Libri com muitos trabalhos próprios, redesenhando os edifícios construídos de maneira idealizadora.
 Esta reflexão procura identificar soluções sistêmicas utilizadas na organização interior da arquitetura do Renascimento italiano, desde o ponto de vista da geometria geradora das formas, da compartimentação dos espaços e dos percursos estabelecidos para acessar esses compartimentos. O termo distribuição sintetizou de forma competente este conjunto de questões, desde seu surgimento na França, no século XVIII, até o período entre guerras; momento no qual as vanguardas construtivas passaram a estabelecer seus próprios conceitos metodológicos, implementando um novo vocabulário adequado àquela ruptura com a tradição. Aliando-se à crescente especialização dos edifícios e de seus compartimentos, a partir do período industrial intensifica-se o uso de circulações segregadas, surge a ideia de continuidade espacial e passam a ser utilizados fluxogramas e organogramas na concepção da arquitetura, entre outros artifícios típicos dos processos projetuais ditos funcionalistas ou racionalistas.
 A presente análise delimita-se sobre a produção dos arquitetos – a arquitetura erudita –, não ignorando seu diálogo com a tradição empírica, além das referências vitruvianas e arqueológicas da Antiguidade clássica que inspiraram o projeto renascentista. Detém-se sobre o programa da habitação, abrangendo as tipologias do palazzo renascentista urbano e suburbano, da villa suburbana ou rural, das casas rurais camponesas e das casas urbanas populares; as duas últimas acessíveis através das representações idealizadas de Serlio em seu Sexto Livro, já referidas. A tese doutoral de Cláudio Calovi Pereira disponibiliza à consulta um valioso material gráfico coletado em importantes arquivos, como Uffizi, Soane Museum e Royal Institute of British Architects (3). Nela o autor diferencia os palácios monumentais dos menores, nos quais concentra o foco de seu trabalho, juntamente com casas da baixa aristocracia, priorizando a situação genérica à exceção dentro de um universo mais numeroso que define tipos.
  O interesse de uma investigação neste sentido consiste no mapeamento de formas usuais de organização interior, no momento em que deixam de ser sedimentadas de modo empírico e a concepção intelectual dos arquitetos passa a intervir neste processo. A polifuncionalidade dos cômodos e o baixo grau de privacidade interior, durante o Renascimento, seriam substituídos pela gradual diversificação de funções dos programas domésticos e consequente especialização dos compartimentos; e pela busca de privacidade, em resposta às necessidades comportamentais emergentes. A valorização do individual como condicionante de projeto pode ser observada nos palácios urbanos de autoridades religiosas ou políticas. Nestes casos, onde ocorreram atividades protocolares a serem satisfeitas, surgiram circulações, passagens alternativas e escadas que permitiram, além da privacidade dos cômodos, os deslocamentos interiores exclusivos, segregando trajetos íntimos, sociais e de serviços; exemplo disso são escadas de serviços – secundárias em tamanho e posição – detectadas com frequência nas ville e palazzi de arquitetos como Serlio, Vignola, Palladio e Peruzzi, entre outros. O uso de circulações especializadas ainda foi parcimonioso durante o Renascimento, sendo sua aplicação resumida a vestíbulos interrompendo enfilades e passagens através de compartimentos, além daqueles percursos segregados "funcionais" mencionados (4).



Arquitetura erudita e tradição empírica
Um exame panorâmico do arranjo interior nas ville e pallazzi renascentistas italianos demonstra a incidência de alternativas delimitáveis. Tratando-se de arquitetura erudita, as soluções não obedeceram ao empirismo da tradição, que responde naturalmente aos condicionantes geográficos, sócio-culturais e econômicos. A mão do arquiteto dirigiu com firmeza o destino formal destes edifícios. Entretanto, percebe-se uma clara sistematização de determinadas soluções tipo-morfológicas, demonstrando que o contexto regional exerceu pressão sobre o projeto. Essas regionalizações tornam-se bastante evidentes quando comparamos os palácios urbanos da Toscana, organizados a partir de um pátio central, aos palácios venezianos, nos quais a sala central alongada é o elemento organizador da distribuição interior.
A tipologia do palazzo de pátio central parece surgir mais das questões pragmáticas, da tradição de pátios informais gradualmente regularizados em busca da perfeição geométrica clássica, que da recuperação teórica dos ideais clássicos. Manfredo Tafuri atribui o surgimento do palácio urbano renascentista à simbiose entre o tipo palácio-torre medieval e o tipo claustro (5). Vale ser destacado que as primeiras ville foram obtidas a partir da adaptação de fortalezas medievais, como Trebbio e Cafaggiolo, convertidas por Michelozzo para os Medici em meados do século XV; e que estas já possuíam pátios interiores com trechos de arcadas informais. Dentro da concepção de espaços urbanos contidos pela massa edificada densa, edifícios sobre lotes com formas irregulares obtinham uma imagem aparentemente racional a partir de seus pátios. Serlio e Palladio dedicaram lâminas de seus tratados ao tema, exemplificando como proceder em tais situações; e os desenhos com as propostas não deixam dúvidas quanto à abordagem. Serlio também fazia a seguinte recomendação:
"Ao entrar no edifício, atravessa-se uma série de espaços públicos, que devem ser localizados no centro do prédio. Tais espaços devem ter forma regular, para que o observador suponha que o edifício todo é regular. As áreas privadas ou de serviços flanqueiam esses espaços, desde os limites irregulares do lote; e nelas se admitem as irregularidades".
Algumas "invenções" formais, ou aprimoramentos de caráter intelectual, eram introduzidos nos edifícios, ideia compartilhada por Benevolo quando menciona Galeazzo Alessi em Gênova, que "estabelece definitivamente o tipo distributivo que depois será repetido por seus discípulos e continuadores" (6). Outra questão relevante pode ser extraída dos palácios palladianos de Vicenza, como Valmarana e Iseppo Porto, nos quais o pátio interior define-se apenas pela loggia de articulação entre frente e fundos, inexistindo a estrutura com compartimentos periféricos; o que ocorreu em função dos lotes estreitos, entre medianeiras, que condicionaram a tipologia naquela cidade. Segundo Wolfgang Lotz,
"para os nobres da terraferma, o pátio não tinha o mesmo significado que para seus contemporâneos em Roma e Florença. Além disso, o entrelaçamento confuso das ruas medievais e a densidade das áreas construídas de Vicenza não permitiam áreas de construção amplas" (7).
Planta baixa do Palazzo Isepo Porto, com a loggia do cortile tornando-se apenas um elemento de ligação entre duas alas do edifício.
Croquis do autor a partir de PALLADIO
Deste modo, dissipa-se alguma aparente semelhança com palácios florentinos que restava, quando avançamos para a organização interior das duas tipologias.

Um critério classificatório possível
A partir das soluções utilizadas, a distribuição da arquitetura renascentista italiana pode ser organizada em três grupos distintos. O primeiro deles é constituído pelos casos onde o acesso aos diversos cômodos ocorre através dos mesmos, sem o uso de compartimentos destinados exclusivamente ao deslocamento – circulações. O segundo grupo abrange situações onde ocorre o uso recintos dedicados unicamente a acessar aos demais aposentos com privacidade, tão precária no caso das enfilades. E o terceiro grupo compreende soluções híbridas, onde a distribuição ocorre diretamente através dos próprios cômodos, em parte, de forma concomitante ao uso de compartimentos exclusivos para essa finalidade.


I. A distribuição tradicional
Este grupo apresenta a forma elementar de distribuição, cômodo a cômodo, a prática predominante no Renascimento. Divide-se, por sua vez, em dois outros subgrupos: o primeiro, onde a distribuição ocorre através de sequências, formando enfilades em situações mais organizadas. Esta modalidade adequou-se melhor às configurações axiais – ou pavilhonares –, cuja associação perpendicular originou pátios: foi a tipologia de palácios urbanos como Medici, em Florença, de Michelozzo, e Thiene, em Vicenza, de Palladio; ou suburbanos como o palácio Del Te, em Mântua, de Giulio Romano, e a villa Sarego, em Verona, de Palladio.


 Planta do Palazzo Medici.
Croquis do autor a partir de MURRAY 
Planta do Palazzo Thiene.
Croquis do autor a partir de PALLADIO 

Vista externa do Palazzo del Te, em Mântua, construído entre 1525 e 1535.
Foto Marcelo Martel

Planta baixa do palácio Del Tè, com seu grande pátio interno.
Croquis do autor a partir de LOTZ  


Logge interiores se fizeram presentes nestes pátios, desde as ville medievais adaptadas por Michelozzo, como já foi mencionado. Em seu primeiro edifício urbano ideal, o Palazzo Medici, o arquiteto introduziu uma galeria periférica que se alarga no lado oposto ao ingresso, numa possível interpretação da domus vitruviana. A solução foi seguida em outros palácios posteriores, como o Piccolomini (1459), em Pienza, de Bernardo Rosselino: Medici tornava-se o protótipo de palácio urbano florentino. A galeria constituía uma alternativa de distribuição aos compartimentos térreos, além das portas existentes entre eles. Em poucos casos essa estrutura periférica manteve-se livre no piano nobile e atico. De modo geral, tal área foi incorporada aos compartimentos superiores, dispostos a partir de trajetos estabelecidos de forma subjetiva. No caso dos grandes palácios Venezia e Cancelleria, em Roma, a galeria claustral se estendeu ao piano nobile, assim como em Thiene e Sarego, os dois exemplos de Palladio mencionados. O palazzo Del Tè, por sua vez, não apresentou uma galeria junto ao pátio (o que configura o cortile) como alternativa para deslocamentos. Sendo um edifício com função de villa, voltado ao lazer e sem necessidade de acomodação permanente, sua planta baixa desenvolveu-se em quatro alas, onde a distribuição ocorre somente através dos próprios compartimentos, um após o outro (8).

 O segundo subgrupo enquadra as soluções de plantas tripartidas, onde salas centrais, sequências de salas, ou sequências de salas unidas por passagens (uma permissão que se pode fazer ao grupo a caminho da situação híbrida) estabelecem a distribuição para os cômodos mais privativos nos flancos. Foi a forma usual de distribuição nos palazzi venezianos como Corner della Cá Grande, de Sansovino, e Grimani, de Sanmicheli; destaque-se que o primeiro apresenta um pátio na parte posterior do edifício, em condição visivelmente secundária, prevalecendo a sala central como elemento definidor tipológico. O arranjo com sala central também foi adotado nas ville papais de Frascati, nos arredores de Roma, como Rufina, Tusculana, de Vignola, e Mondragone, de Nanni di Baccio, estendendo-se às casas ditas bandeiristas dos séculos XVI a XVIII, em São Paulo, e algumas tipologias similares da América hispânica.

 Palazzo Corner della Cá Grande em Veneza. Planta organizada em torno das salas centrais alongadas.
Corquis do autor a partir de LOTZ 

Palazzo Grimani em Veneza. Planta organizada em torno das salas centrais alongadas.
Croquis do autor a partir de LOTZ 


Link: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.129/3748


Renascimento, sempre bem-vindo.

O Renascimento apresenta maior expressão na Itália, começando na região da Toscana para depois se difundir pela península Itálica. Também acontecem manifestações de importância na Inglaterra, Alemanha e Países Baixos, com menos intensidade aparecem em Portugal e na Espanha.

Renascimento é a “redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista ”. E nesse conceito você pode renovar seu ambiente ou destacar peças renascentistas na decoração. A dosagem correta dos contrastes de estilos resultam em ambientes únicos e de grande interesse.




A Arte Moderna - Arte Renascentista ou do Renascimento (Arquitectura)

A arquitectura renascentista é descendente natural da arte da Antiguidade Clássica, da Grécia e de Roma, da qual herdou os princípios fundamentais de harmonia e equilíbrio. Diferencia-se da arte medieval principalmente nas formas arquitectónicas e é possível, inclusivamente, assinalar a data do início da utilização das novas formas arquitectónicas: 1418, o ano em que Brunelleschi oferece a solução e o modelo para cobrir com uma cúpula a Catedral de Florença.
Os arquitectos renascentistas estudaram profundamente a arquitectura clássica, através da observação de monumentos dessa época e pelo estudo dos tratados de arquitectura clássica, revelando um grande interesse pelo coleccionismo e pela arqueologia.
Criaram assim, uma arquitectura monumental e ligada aos princípios do Humanismo.

Arquitectura religiosa:


- Em termos estruturais, a arquitectura do Renascimento do séc. XV usou a planta basilical em cruz latina.

Catedral de Santa Maria das Flores, transição do estilo gótico para o estilo renascentista







Brunelleschi, Capela Pazzi, 1421




 Brunelleschi, Igreja do Santo Espírito



Link: http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com.br/2010/11/arte-moderna-arte-renascentista-ou-do_15.html

Postado por: Bruna, Thais e Flávio